Conforme a Fource Consultoria, especializada em inteligência de mercado, reestruturação empresarial e gestão de ativos, empresas que iniciam um processo de reestruturação com ações judiciais já em andamento costumam subestimar o impacto que essas ações têm sobre o plano de recuperação, tratando-as como assunto separado em vez de parte integrante da estratégia.
Isso acontece porque a área jurídica e a área financeira, dentro da própria empresa, frequentemente trabalham de forma isolada nesse momento, quando deveriam estar totalmente alinhadas.
Entenda a seguir como lidar com essas ações de forma integrada ao processo de reestruturação.
Primeiro, mapeie a natureza e o risco de cada ação
Nem toda ação judicial representa o mesmo nível de risco para o plano de reestruturação. Ações trabalhistas, tributárias, cíveis e de fornecedores têm dinâmicas, prazos e potenciais de acordo bem diferentes entre si, exigindo tratamento específico para cada categoria.
A Fource considera que esse mapeamento inicial deveria classificar cada ação por probabilidade de perda, valor envolvido e prazo estimado de resolução, criando uma visão consolidada do passivo contingente que, muitas vezes, não existia de forma organizada antes do início do processo de reestruturação.
Esse mapeamento também deveria identificar quais ações têm decisão iminente, para que a empresa não seja pega de surpresa por um resultado desfavorável justamente no meio de uma negociação delicada com credores ou investidores.
Depois, avalie o impacto no plano de reestruturação
Uma ação judicial com decisão desfavorável iminente pode comprometer premissas financeiras que sustentam todo o plano de recuperação, especialmente se o valor envolvido for significativo em relação ao caixa disponível projetado para os próximos meses.
Na perspectiva da Fource Consultoria, esse cruzamento entre passivo judicial e planejamento financeiro deveria acontecer antes de o plano ser apresentado a credores, não depois. Descobrir tarde demais que uma ação relevante não foi considerada no cálculo original enfraquece a credibilidade de todo o processo perante as partes envolvidas.
Em seguida, negocie suspensão ou acordo quando possível
Em alguns casos, é possível negociar suspensão temporária de uma ação judicial enquanto a reestruturação avança, ou até propor acordo que resolva a disputa em condições mais favoráveis do que aguardar decisão judicial incerta e potencialmente mais demorada.

Segundo a Fource Consultoria, essa negociação costuma ser mais bem-sucedida quando conduzida de forma coordenada com o restante da negociação empresarial em andamento, oferecendo à contraparte judicial condições parecidas com as que credores financeiros estão recebendo, em vez de tratamento isolado e potencialmente mais vantajoso para um único credor.
Essa coordenação evita um problema comum: uma contraparte judicial perceber que está recebendo condição pior do que credores financeiros e usar essa desigualdade como argumento para endurecer sua própria posição de negociação, complicando o que poderia ter sido resolvido de forma mais simples.
Por fim, mantenha credores informados sobre o andamento
Credores financeiros que participam do plano de reestruturação precisam saber sobre ações judiciais relevantes, mesmo quando essas ações não estão diretamente relacionadas a eles, porque qualquer decisão desfavorável pode afetar a capacidade da empresa de honrar o que foi acordado no plano geral.
Do ponto de vista da Fource Consultoria, essa transparência evita que credores se sintam surpreendidos depois, quando uma ação judicial que já estava em andamento desde o início se materializa como problema concreto de caixa, gerando desconfiança que poderia ter sido evitada com comunicação antecipada e clara sobre esses riscos conhecidos.
Manter esse fluxo de informação também facilita futuras negociações, caso a empresa precise de flexibilidade adicional mais adiante. Credores que já acompanham o histórico de ações judiciais desde o início tendem a reagir com menos surpresa e mais disposição para ajustar condições, justamente porque perceberam consistência na forma como a empresa comunicou riscos ao longo de todo o processo.