A construção civil está incorporando ferramentas digitais que alteram etapas importantes de uma obra, do planejamento à execução, e, para Guilherme Campos, empresário do setor imobiliário e agro, essa transformação merece atenção diante das novas demandas do mercado. BIM, inteligência artificial, automação e recursos de realidade virtual já fazem parte das discussões sobre produtividade, controle e segurança no setor, enquanto, em 2026, a combinação dessas tecnologias ganhou ainda mais espaço no debate sobre como construir com maior previsibilidade e eficiência.
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O que o BIM muda antes da obra começar?
Uma das principais transformações está acontecendo antes mesmo da chegada das equipes ao canteiro. O BIM, sigla para Building Information Modeling, permite trabalhar com uma representação digital da construção e integrar informações relacionadas ao projeto. Na prática, isso pode facilitar a identificação de incompatibilidades e melhorar a coordenação entre diferentes etapas.
Como destaca Guilherme Campos, a tecnologia também muda a maneira como decisões são tomadas. Em vez de depender exclusivamente de desenhos separados e informações distribuídas, equipes podem trabalhar com dados integrados para analisar o empreendimento. Segundo levantamento citado pela FIESC, 20,6% das empresas brasileiras de construção utilizavam BIM em 2024, enquanto estudos sobre sua maior adoção apontam potencial de impacto na produtividade do setor.
Essa digitalização cria uma ponte entre planejamento e execução, justamente onde muitos problemas de uma obra começam. Quanto mais detalhadas forem as informações disponíveis antes do início dos serviços, maior pode ser a capacidade de antecipar conflitos e organizar as etapas seguintes. Dessa forma, o uso de ferramentas digitais deixa de estar restrito à elaboração de projetos e passa a participar também da gestão do empreendimento.
Como a inteligência artificial entra no canteiro?
A inteligência artificial amplia essa transformação ao permitir análise de informações em escala maior. No setor da construção, suas aplicações podem envolver apoio à tomada de decisões, análise de projetos, identificação de padrões e organização de dados relacionados à operação. Também pode auxiliar no acompanhamento de cronogramas, na identificação de possíveis desvios e na análise de diferentes cenários antes da execução de determinadas etapas. Dessa maneira, a tecnologia pode contribuir para que gestores tenham uma visão mais ampla do empreendimento e consigam agir com maior antecedência diante de situações que exigem atenção.

A tecnologia, entretanto, não substitui automaticamente a experiência dos profissionais. Seu resultado depende da qualidade das informações utilizadas e da capacidade das equipes de interpretar o que os sistemas apresentam. Por isso, como ressalta Guilherme Campos, a digitalização também aumenta a importância da capacitação. Profissionais precisam compreender tanto o funcionamento das ferramentas quanto os limites das informações produzidas por elas, evitando decisões baseadas exclusivamente em resultados automatizados.
Automação pode reduzir desperdícios?
Outro caminho de modernização está na automação e na industrialização de processos. A construção modular, a padronização de componentes e os sistemas construtivos mais industrializados estão entre as tendências associadas ao setor em 2026. Essas alternativas podem tornar determinadas etapas mais previsíveis, além de favorecer maior controle sobre materiais, medidas e sequência de execução. Em projetos de maior escala, essa organização pode ser especialmente relevante para reduzir variações e facilitar o planejamento das atividades.
Segundo Guilherme Campos, a lógica é deslocar parte do trabalho para processos mais controlados, reduzindo a dependência de atividades improvisadas diretamente no canteiro. Isso pode contribuir para maior padronização e facilitar o acompanhamento de prazos e materiais. Quando etapas são planejadas e executadas de maneira mais sistematizada, torna-se possível acompanhar com maior precisão o andamento da obra e identificar desvios com antecedência. O resultado esperado é uma operação mais organizada, na qual diferentes equipes conseguem trabalhar a partir de parâmetros previamente definidos.
Mas existe uma condição: a tecnologia não elimina a necessidade de planejamento. Pelo contrário, quanto mais integrado é o processo, maior a necessidade de informações corretas desde as primeiras etapas. Um erro de projeto digitalizado continua sendo um erro, apenas pode chegar mais rapidamente às fases seguintes. Por isso, a adoção de novas ferramentas precisa estar acompanhada de conferência técnica, definição clara de responsabilidades e atualização constante dos dados utilizados. A eficiência proporcionada pela tecnologia depende, em grande medida, da qualidade do planejamento que sustenta sua utilização.
Para acompanhar análises sobre construção, mercado imobiliário e desenvolvimento regional, siga Guilherme Campos no Instagram, em @guicamposvlg.