Leitura: Aviação executiva bate recorde e liga o Brasil profundo

Aviação executiva bate recorde e liga o Brasil profundo

Gonzalo Delvera
Por Gonzalo Delvera 5 Min de leitura
Wander Aguilera Almeida

Segundo o empresário e piloto privado Wander Aguilera Almeida, o crescimento da aviação executiva brasileira diz muito sobre o país. A frota já ultrapassou onze mil aeronaves em operação, consolidando o Brasil como o segundo maior mercado de aviação de negócios do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos em número total de aeronaves registradas. Ele enxerga nesse cenário um papel que vai muito além do simples deslocamento de executivos entre capitais.

Este artigo analisa o que está por trás desse crescimento e por que ele importa tanto fora dos grandes centros.

Um país que depende de asas pequenas

A malha aérea comercial brasileira atende pouco mais de cento e quarenta localidades, número pequeno diante de um território que reúne mais de cinco mil e quinhentos municípios espalhados por todas as regiões do país. Boa parte dessas cidades depende exclusivamente de estrada, muitas vezes precária, para qualquer deslocamento urgente que envolva pessoas ou carga sensível.

É nessa lacuna que a aviação geral cumpre papel decisivo: aeronaves menores conectam cidades onde o transporte comercial nunca chegou, encurtando distâncias que de outra forma exigiriam viagens terrestres de muitas horas por estrada. Um trajeto que levaria um dia inteiro de carro pode ser cumprido em pouco mais de uma hora de voo, diferença que muda completamente a lógica de quem precisa resolver algo com urgência fora da própria cidade.

Essa lacuna é exatamente a razão de boa parte do próprio interesse de Wander Aguilera Almeida pela aviação; no interior do país, voar deixa de ser luxo e passa a ser, muitas vezes, a única forma prática de resolver um compromisso marcado longe de casa.

O que está puxando esse crescimento?

O número de novas aeronaves executivas registradas anualmente saltou de uma média próxima de duzentas unidades para mais de seiscentas em poucos anos, ritmo de expansão que colocou pressão considerável sobre a infraestrutura disponível no país.

Wander Aguilera Almeida
Wander Aguilera Almeida

Renovação de frota, novas formas de acesso a aeronaves e demanda regional crescente explicam boa parte desse movimento, segundo associações do setor que acompanham de perto a evolução desses números a cada nova rodada de dados divulgada.

O gargalo que vem junto com o crescimento

Esse ritmo acelerado de expansão esbarra justamente na estrutura física disponível para receber tantas aeronaves novas: hangares, pistas e capacidade de pouso não crescem no mesmo ritmo em que a frota se expande. Aeroportos executivos das principais capitais já operam próximos do limite em determinados horários, obrigando aeronaves a aguardar sua vez antes de pousar ou decolar.

Aeroportos privados voltados especificamente para aviação executiva vêm surgindo como resposta a esse gargalo, oferecendo capacidade que os aeroportos comerciais tradicionais já não conseguem absorver sem prejudicar sua própria operação principal de passageiros. Projetos desse tipo já avançam em diferentes regiões do país, alguns deles com previsão de receber aeronaves de maior porte assim que as obras forem concluídas.

De acordo com Wander Aguilera Almeida, essa corrida por infraestrutura mostra que o crescimento do setor não é apenas número bonito em relatório, mas um desafio prático que o país ainda precisa resolver na prática, sob pena de o próprio sucesso do setor virar seu principal obstáculo.

O que esse cenário representa para quem já voa?

Feiras do setor, que reúnem fabricantes, operadores e potenciais compradores em um só lugar, já refletem esse momento de expansão, movimentando centenas de milhões de reais em negócios a cada edição realizada no país. Esse crescimento, na visão de Wander Aguilera Almeida, portanto, ajuda a entender não só o futuro da aviação executiva, mas também como o Brasil profundo continua dependendo de asas pequenas para se manter conectado ao resto do país.

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