O futebol é frequentemente visto apenas como espetáculo esportivo, mas sua influência vai muito além do gramado. No contexto econômico e social, o esporte tem capacidade de movimentar mercados, gerar riqueza e fortalecer redes de relacionamento nas cidades onde clubes atuam. Esta visão foi defendida recentemente pelo presidente do Toledo Esporte Clube, Sebastião Marques, durante um evento do setor imobiliário realizado em Toledo no dia 28 de janeiro de 2026. A seguir, analisamos como o futebol pode impactar positivamente a economia local, quais mecanismos sustentam essa relação e por que gestores públicos e privados deveriam olhar para o esporte como um vetor estratégico de desenvolvimento.
No encontro que reuniu mais de cem profissionais do mercado imobiliário, Sebastião Marques apresentou uma leitura prática e fundamentada sobre o papel do futebol na economia urbana. Com experiência tanto no esporte quanto no setor imobiliário, ele ressaltou que a atuação de um clube estruturado cria uma série de efeitos multiplicadores. Esses impactos se manifestam em segmentos como comércio, serviços, hotelaria, locação de imóveis e geração de empregos. Essa perspectiva amplia o entendimento tradicional do futebol como entretenimento, posicionando-o como elemento catalisador de movimentação financeira e de visibilidade regional.
O ponto central da argumentação de Marques foi a ideia de que o futebol funciona como uma plataforma de conexão social e econômica. Quando uma equipe participa ativamente da vida de uma cidade, ela mobiliza torcedores, atrai público aos estádios e gera um fluxo de pessoas que, direta ou indiretamente, impulsiona negócios locais. Empresas de diversos setores tiram proveito dessa dinâmica para ampliar suas oportunidades, seja por meio de parcerias, ações de marketing ou simplesmente pelo aumento do movimento em pontos comerciais durante dias de jogos.
Além disso, o futebol tem papel importante na construção da identidade comunitária. Em uma cidade média como Toledo, a presença de um clube de futebol que representa a comunidade extrapola a esfera esportiva e atua como elemento de coesão social. O presidente do clube destacou que, dentro de um estádio, as diferenças são deixadas de lado, gerando um sentimento de pertencimento coletivo que se reflete nas relações interpessoais e nos negócios. Essa dimensão identitária é um ativo intangível que contribui para a atração de investimentos e para a valorização da cidade no cenário regional.
Um dos aspectos mais relevantes da abordagem de Sebastião Marques foi a afirmação de que o clube não pertence a indivíduos, mas à própria cidade. Essa perspectiva reforça a importância de uma gestão profissional e de uma estratégia de integração com os setores produtivos locais. Quando bem administrado, um clube de futebol pode ser uma plataforma eficaz de relacionamento entre empresários, investidores e a comunidade em geral. Essa visão fortalece a ideia de que a sustentabilidade econômica de um clube passa pelo engajamento com o ecossistema local e por uma governança orientada para resultados que beneficiem todo o município.
Outro efeito prático destacado no evento foi a capacidade do futebol de gerar visibilidade para a cidade em esferas mais amplas, como estadual e nacional. A exposição proporcionada por competições esportivas amplia a notoriedade de uma localidade e pode atrair novos negócios e eventos que, de outra forma, poderiam não considerar o município como opção. Esse tipo de visibilidade agrega valor à marca territorial e contribui para o fortalecimento do ambiente de investimentos.
A discussão sobre futebol e economia não é isolada. Estudos internacionais, por exemplo, mostram que programas esportivos bem estruturados podem gerar impacto econômico significativo em áreas metropolitanas e regionais, aumentando o valor de mídia e o consumo local, além de reforçar a identidade dos moradores com sua cidade. Esses efeitos, embora variem conforme o contexto, demonstram que há um potencial real para que o futebol seja um instrumento de desenvolvimento urbano e econômico quando articulado com políticas públicas e ações estratégicas do setor privado.
Por fim, a participação do Toledo Esporte Clube em eventos voltados ao mercado imobiliário e à comunidade empresarial sinaliza uma mudança de perspectiva sobre o papel do esporte no desenvolvimento local. Ao posicionar o clube como um agente econômico e social relevante, o gestor evidencia a necessidade de se pensar o futebol não apenas como um produto de consumo cultural, mas como um ativo estratégico capaz de conectar pessoas, gerar valor e impulsionar o crescimento econômico de uma região.
O futebol, assim, reafirma sua vocação para além do espetáculo esportivo. Quando alinhado com uma visão de desenvolvimento integrado, pode ser um poderoso motor de transformação, contribuindo para a construção de cidades mais dinâmicas, conectadas e economicamente robustas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez