Leitura: Reconstrução mamária tardia é comparada em estudo com acompanhamento de até 15 anos

Reconstrução mamária tardia é comparada em estudo com acompanhamento de até 15 anos

Redação Xuou Xuou
Por Redação Xuou Xuou 5 Min de leitura

Um estudo clínico randomizado realizado pelo Departamento de Cirurgia Plástica do Sahlgrenska University Hospital, na Suécia, comparou os resultados de longo prazo de diferentes técnicas de reconstrução mamária tardia após a mastectomia. Publicado on-line em 30 de junho de 2026 no Scandinavian Journal of Surgery, o trabalho acompanhou pacientes por até 15 anos e analisou qualidade de vida relacionada à saúde, necessidade de novas cirurgias e custos do tratamento.

A pesquisa integra o estudo GoBreast, registrado no ClinicalTrials.gov sob o identificador NCT03963427. Ao todo, foram avaliadas 100 pacientes, organizadas de acordo com o histórico de radioterapia. A separação é importante porque a exposição à radiação pode influenciar a escolha da técnica e a evolução da reconstrução.

Resultados entre pacientes sem radioterapia

No grupo de pacientes que não haviam recebido radioterapia, a comparação envolveu a reconstrução em dois estágios com expansor e o retalho toracodorsal associado a implante. O expansor é utilizado inicialmente para preparar o espaço que receberá a prótese definitiva, enquanto o retalho toracodorsal emprega tecido da região das costas em combinação com um implante.

Segundo o artigo publicado no Scandinavian Journal of Surgery, a reconstrução com expansor apresentou melhora estatisticamente significativa na qualidade de vida e menor frequência de reoperações. O acompanhamento médio nesse grupo foi de 12,9 anos, período que permitiu observar efeitos que poderiam não aparecer em avaliações concentradas apenas nos primeiros meses após a cirurgia.

De acordo com os resultados divulgados, a taxa de reoperações associada ao expansor foi aproximadamente metade da registrada entre as pacientes submetidas ao retalho toracodorsal com implante. A informação não significa que uma técnica seja adequada para todas as pessoas, mas indica como o acompanhamento prolongado pode mudar a avaliação de benefícios, riscos e necessidade de procedimentos adicionais.

Comparação entre técnicas após radioterapia

Entre as pacientes que haviam passado por radioterapia, o estudo comparou o retalho do músculo latíssimo do dorso com implante e o retalho DIEP. A segunda técnica utiliza tecido da região abdominal para formar a mama reconstruída, sem empregar o músculo abdominal como parte principal do retalho.

Nesse subgrupo, as participantes submetidas ao DIEP não registraram reoperações durante o período analisado. Já o grupo tratado com o retalho do latíssimo do dorso apresentou maior frequência de novas cirurgias. No entanto, a comparação envolveu apenas 25 pacientes, e as diferenças observadas em qualidade de vida e custos não atingiram significância estatística.

O tamanho reduzido da amostra exige cautela na interpretação. A ausência de reoperações no grupo DIEP é um resultado relevante dentro do ensaio, mas não permite afirmar, isoladamente, que essa técnica será superior em todos os cenários. A indicação depende de fatores como condições clínicas, disponibilidade de tecido, tratamentos anteriores, preferências da paciente e experiência da equipe responsável.

Por que o longo prazo importa

A principal contribuição do estudo está em ampliar a análise da reconstrução mamária para além do resultado estético inicial e das complicações imediatas. Reoperações acumuladas, impacto na qualidade de vida e custos diretos e indiretos podem alterar a percepção sobre uma técnica quando observados ao longo de vários anos.

O registro do ensaio no PubMed identifica o trabalho como uma investigação do GoBreast sobre resultados de qualidade de vida e custos em diferentes modalidades de reconstrução mamária tardia. A proposta oferece informações úteis para a conversa entre pacientes, cirurgiões plásticos e equipes multidisciplinares antes da definição do procedimento.

Os próprios pesquisadores ressaltam que o estudo foi realizado em um único centro sueco. Por isso, os resultados devem ser interpretados considerando o perfil das participantes, a estrutura disponível e as características do sistema de saúde local. Os custos calculados na pesquisa também não devem ser convertidos diretamente para a realidade brasileira, que possui organização, preços e formas de financiamento diferentes.

Assim, o estudo não estabelece uma técnica universalmente melhor. Ele mostra que a reconstrução mamária tardia pode apresentar resultados distintos conforme a presença de radioterapia e que decisões baseadas em acompanhamento prolongado tendem a oferecer uma visão mais completa do tratamento. A escolha final deve ser individualizada e discutida com profissionais habilitados, considerando riscos, expectativas e possibilidades clínicas de cada paciente.

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