Levantamentos de julho da AtlasIntel, Meio/Ideia e Real Time Big Data mostram vantagem do presidente, com margens que variam bastante.
A poucos meses da eleição presidencial de outubro, uma dúvida domina as conversas políticas pelo Brasil: Lula segue favorito, mas o quanto essa vantagem é sólida diante de Flávio Bolsonaro? Nas últimas semanas, ao menos quatro institutos de pesquisa nacionais (AtlasIntel, BTG/Nexus, Meio/Ideia e Quaest) mediram as intenções de voto para a Presidência da República, e em todos os levantamentos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL), tanto no primeiro quanto no segundo turno. O detalhe que chama atenção, porém, é a distância entre os números: enquanto algumas pesquisas mostram folga confortável, outras apontam um empate técnico dentro da margem de erro. Entender essas diferenças ajuda o eleitor a separar o que é tendência consolidada do que ainda pode mudar até a votação.
Levantamentos recentes confirmam vantagem de Lula
O mês de julho começou com a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg apontando Lula com 46,3% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36,6% de Flávio Bolsonaro, segundo a CartaCapital. No segundo turno, a vantagem do petista chegou a quase 7 pontos percentuais, 48,8% a 42,3%. Dias depois, a pesquisa Meio/Ideia trouxe um cenário mais apertado no primeiro turno, com Lula em 40,4% e o filho do ex-presidente em 32%, mas manteve distância parecida no segundo turno, com 45% a 40%, de acordo com o Brasil de Fato. A mesma pesquisa mostrou a ministra do STF Cármen Lúcia com 4,5% em cenários que a incluem, e a ex-presidente Dilma Rousseff com 2,5%, números que ilustram como o campo governista ainda testa nomes alternativos, mesmo com Lula na dianteira.
O levantamento mais recente, divulgado pela Real Time Big Data nesta terça-feira (21), reforça essa tendência: Lula aparece com 45% das intenções de voto no segundo turno, contra 42% de Flávio Bolsonaro, segundo o Poder360. A distância de 3 pontos está dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos, o que tecnicamente caracteriza um empate. Na simulação contra o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), o cenário se inverte: o petista soma 43%, contra 44% do adversário, diferença mínima que mostra como certos nomes de centro-direita conseguem se aproximar mais do presidente do que os candidatos ligados à família Bolsonaro.
Por que a distância entre as pesquisas gera dúvida no eleitor
Essa variação entre institutos não significa necessariamente contradição, mas reflete metodologias diferentes de coleta e momentos distintos da pesquisa. Ainda assim, para o eleitor que acompanha o noticiário político, a pergunta natural é: qual número reflete melhor a realidade das urnas em outubro? Cientistas políticos costumam recomendar observar a tendência ao longo de várias semanas, e não um levantamento isolado, já que pesquisas eleitorais têm maior valor preditivo quando analisadas em conjunto. No caso atual, a constante entre os institutos citados é a liderança de Lula em todos os cenários testados, o que dá alguma solidez ao quadro, mesmo com as oscilações pontuais de margem.
Outro fator que ajuda a explicar a disputa apertada em alguns recortes é o desempenho econômico do governo, tradicionalmente um dos temas que mais pesam no voto do brasileiro. Como mostram os indicadores mais recentes de crescimento do PIB e da inflação em queda, divulgados pela FGV e pelo Banco Central, a economia dá sinais de melhora, mas o efeito desses números sobre a avaliação do governo costuma levar meses para aparecer nas pesquisas de intenção de voto. Some-se a isso o fato de que Flávio Bolsonaro segue tentando consolidar o espólio eleitoral do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje inelegível, o que ainda gera dúvida sobre o quanto do eleitorado bolsonarista de fato migra para o filho.
Com a eleição marcada para outubro e a definição das candidaturas ainda em curso nas convenções partidárias, o cenário político segue em aberto, mesmo com Lula na liderança de praticamente todos os levantamentos. A distância confortável em algumas pesquisas contrasta com o empate técnico em outras, o que reforça a importância de acompanhar novos institutos nas próximas semanas, especialmente após a definição oficial dos candidatos e o início da propaganda eleitoral. Para o eleitor, o recado é observar não apenas os números isolados, mas a tendência que se forma ao longo do tempo, já que a corrida presidencial de 2026 promete seguir movimentada até a reta final da campanha.